Por Cecília Dantas, Leticia Anjos e Gilvictor Nascimento
O Pet Geografia realizou nesta terça-feira (19), o evento “ 5° Cinepet Geo – Explorando Geografia no Cinema”, que aconteceu no Auditório E do CCHLA. O evento exibiu o documentário “Seremos História?” de Fisher Stevens e ainda contou com a participação do Prof. Dr. Francisco Jablinski Castelhano para uma discussão pós filme. O debate seguiu com a mediação de Lucas Vinicius e José Alef, membros do Pet Geografia, coordenadores do evento.
O longa-metragem “Seremos História!” é um filme documentário do ano de 2016, tendo cerca de uma década desde o seu lançamento. A obra denuncia com força e presença o impacto cruel e a gravidade das mudanças climáticas e os malefícios causados. Abordando o consumismo excessivo, a urbanização em massa, poluição, negacionismo climático e o capitalismo desenfreado, o filme cumpre seu papel de trazer esses temas para o centro de debates.
A obra traz entrevistas com figuras de destaque mundial, como Barack Obama (Ex-presidente do EUA), Papa Francisco, o bilionário Elon Musk e especialistas da NASA National Aeronautics and Space Administration) a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço do governo federal dos Estados Unidos responsável pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias, programas de exploração espacial e estudos aeronáuticos. Além de Leonardo DiCaprio que atua como apresentador, repórter e co-produtor. Ele assume o papel de um ativista e investigador que viaja pelo mundo para documentar os impactos do aquecimento global.

Após a exibição do material, seguimos para as considerações do Prof. Dr. Castelhano sobre o documentário. “Fazer uma análise desse documentário 10 anos depois do Acordo de Paris é até um pouco triste, porque a gente vê que tudo isso que ele comenta acabou não vingando”, afirma Castelhano, ao comentar a desilusão com as promessas ligadas à causa ecológica.
Em sequência, o professor discorre sobre a responsabilização individual incentivada pelo sistema desde o ensino fundamental. “Essa questão da responsabilização do indivíduo tem causado uma eco-guilt, termo usado para definir essa sensação de ansiedade ecológica que a pessoa, mesmo tendo um comportamento ambientalmente correto, sente ao não perceber mudanças reais no problema.”
“A gente bate muito na tecla das mudanças pessoais, mas, mesmo que todo mundo fizesse isso, não conseguiríamos mudar a situação em 10%, porque a principal causa dos problemas não está ligada aos nossos hábitos cotidianos. Ela está ligada a um sistema por trás. Um sistema que precisa mudar”, finaliza Castelhano sobre os tópicos apresentados no documentário em relação à culpabilização na questão ambiental.
A participação dos alunos e convidados foram fundamentais para o debate. David Medeiros, orientando do Prof. Dr. Castelhano contribui com um pensamento sobre as medidas que foram colocadas para a mudança social e ambiental, “entender as coisas de maneira sistêmicas para resolver esses problemas, a gente ainda tem um cenário muito desafiador, porque não se sabe questões mesmo de escala porque de fato as poucas práticas que foram colocadas estruturalmente por governos empresas e todos esses lobbies, os sistemas que controlam de fato nossas vidas, ainda não conseguiram construir tecnologias que tenham tido tempo de ter sido avaliadas suficientemente para ver quais são os impactos delas para uma possível resolução”, afirma o geógrafo.

Assim é possível notar que ainda existe esperanças por parte dos cientistas, estudiosos e ambientalistas para a mitigação das mudanças climáticas, não é mais uma questão de “aquecimento” apenas nas regiões mais secas e com pouca chuva que irão sofrer, e sim uma questão mundial, haverá sim mudanças nas demais regiões do mundo inteiro, mudanças climáticas são fenômenos extremos, sejam eles de ordem de altas ou baixas temperaturas.
Afirma a estudante de Geografia, Lidiane Oliveira, “Tivemos diversos exemplos em 2006, 2016 e agora em 2026 temos cientistas falando de um super el ninho, que pode vim agora no segundo semestre, Então a gente percebe que de 2006 para 2016 até 2026 parece que a gente tá falando em em círculo sobre o que a gente tá comentando”, encerrando a discussão.







