Por Belita Lira, CCHLA
O escritor potiguar Tony Lucas, doutorando em Estudos da Mídia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), lançou neste sábado (8) seu primeiro livro de ficção longa, Sina. Nascido em 1996, em Currais Novos, Tony vive entre Tangará e Natal e também atua como jornalista e tarólogo. Sua pesquisa acadêmica é voltada às representações do Nordeste, à literatura e à arte queer.
A obra combina suspense, realismo mágico e referências da cultura nordestina para construir uma narrativa sobre memória, destino e as marcas que atravessam gerações. A história se passa entre Natal, Tangará e a comunidade rural Lagoa do Feijão, no agreste potiguar, e acompanha Samuel, um jovem tarólogo que retorna à sua terra natal, Tangará, e passa a vivenciar acontecimentos inexplicáveis relacionados ao passado de sua família.
Na trama, dez anos depois de um massacre ocorrido dentro de uma igreja, uma cidade permanece marcada pelo acontecimento. Entre silêncios, lembranças e questões familiares, Samuel busca compreender até onde pode chegar a culpa herdada do pai. A partir desse cenário, o livro explora as consequências de acontecimentos do passado sobre as gerações seguintes e as possibilidades psicológicas relacionadas ao trauma.
A construção de Sina levou cerca de um ano entre a escrita e a revisão do manuscrito. Antes de chegar ao público, a obra foi finalista do concurso Livros do Futuro, promovido pelo TikTok, na categoria Suspense.

Segundo Tony Lucas, a ideia para o livro surgiu a partir de sua pesquisa de mestrado, na qual investigava a representação nordestina na literatura e no BookTok. O interesse por filmes de terror e suspense e sua experiência como tarólogo também contribuíram para a construção da narrativa. A partir desses elementos, o escritor buscou reunir no livro temas e características que identificava como pouco explorados na literatura, especialmente na produção potiguar.
“Quis brincar com essa ideia de que nós carregamos o peso das ações dos nossos pais. Sem falar em todas as possibilidades psicológicas que dava para explorar a partir do trauma de Samuel.”
A escolha de Tangará como um dos principais cenários da narrativa também está relacionada à intenção do autor de inserir a cidade na produção literária. “Eu nunca li um livro que se passasse aqui. Eu brinco com meus amigos que minha cidade é só conhecida pelo pastel, então queria mostrar que tem outras coisas na cidade”, explica.
A relação com o Rio Grande do Norte também aparece na construção dos espaços e das referências presentes na narrativa. Ao ambientar a história entre a capital, o interior e uma comunidade rural do agreste, o livro estabelece uma relação com diferentes territórios do estado e com elementos do imaginário e da cultura nordestina.
A publicação de Sina marca a estreia de Tony Lucas na ficção longa e amplia sua atuação entre jornalismo, pesquisa acadêmica e literatura. Para outros escritores potiguares que desejam publicar o primeiro livro, o autor deixa uma mensagem: “Parece clichê, mas acredite em si mesmo e dê tudo de si para que essa história chegue até outras pessoas.”
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