Evento ajuda a dar visibilidade às pautas climáticas e o debate ambiental no Rio Grande do Norte (Foto: Débora Ramos)
Evento ajuda a dar visibilidade às pautas climáticas e o debate ambiental no Rio Grande do Norte (Foto: Débora Ramos)

Por Jenniffer Oliveira

  No último domingo (20), a orla da praia de Ponta Negra recebeu uma mobilização de ativistas para a realização da Marcha Pelo Clima, evento que ocorreu em diversas cidades do Brasil e teve sua terceira edição em Natal, em setembro de 2026. Entre as pautas debatidas estiveram a crise climática no Rio Grande do Norte, as obras de engorda da praia de Ponta Negra e questões relacionadas à preservação ambiental e à gestão pública.

Durante uma roda de conversa, os participantes levantaram e trocaram ideias sobre a emergência climática que afeta não só o estado do Rio Grande do Norte, mas também o Brasil e o mundo. Entre os assuntos discutidos estavam a necessidade de ampliar a preservação ambiental, fortalecer políticas públicas e promover maior participação da população nas discussões relacionadas ao meio ambiente.

“Não adianta a gente pensar que a agenda ambiental é apartidária. Ela é uma agenda partidária sim, porque o nosso lado é o meio ambiente, o nosso lado é salvar o planeta, que resta de planeta. A gente só consegue fazer isso com todo mundo se somando”, afirmou Wilen Ivinen, ativista ambiental, durante seu discurso na participação da roda de conversa, destacando o papel da população no enfrentamento à crise climática.

Participantes da Marcha Pelo Clima (Foto: Jenniffer Oliveira)
Participantes da Marcha Pelo Clima (Foto: Jenniffer Oliveira)

De acordo com os participantes, ainda são necessárias mais mobilizações ambientais no estado, além de ações efetivas voltadas à preservação ambiental e ao bem-estar da população. Obras de infraestrutura, ações relacionadas à gestão de resíduos sólidos e questões envolvendo a especulação imobiliária também foram mencionadas durante a roda de conversa. As falas destacaram a importância da participação popular na discussão e no acompanhamento das políticas públicas relacionadas ao meio ambiente.

A Marcha Pelo Clima

 A Marcha Global pelo Clima é uma mobilização internacional que reúne ativistas, movimentos sociais e povos tradicionais em defesa de ações urgentes contra a crise climática e pela justiça social para as populações mais afetadas. Um dos focos principais do movimento é denunciar como as populações mais vulneráveis sofrem de forma mais intensa com desastres ambientais e as mudanças climáticas.

Em entrevista, uma das organizadoras do evento, Madson Freire, destacou que a Marcha pelo Clima acontece em Natal desde 2015. Em 2026, a mobilização chegou à sua terceira edição e foi organizada a partir da Coalizão pelo Clima, que também possui articulações em outras cidades brasileiras. Segundo a organizadora, a mobilização ganhou força a partir dos acontecimentos climáticos registrados em 2019, especialmente diante das queimadas ocorridas na Amazônia.

 

Madson Freire, bióloga e estudante de Ecologia da UFRN (Foto: Jenniffer Oliveira)
Madson Freire, bióloga e estudante de Ecologia da UFRN (Foto: Jenniffer Oliveira)

“Eu acho que é importante a gente trazer essa luta pra Natal, pras pessoas realmente estarem vendo que não são coisas que a gente não pode combater, que a gente não pode exigir da gestão pública. Então é muito importante a gente tá trazendo essa pauta ambiental e social ao mesmo tempo”, afirmou Madson sobre a importância da conscientização popular por meio da marcha.

Além disso, a organizadora reforçou que a marcha tem o intuito de levantar questões ambientais de interesse público que estão sendo discutidas por organizações globais, mas que medidas não são tomadas a partir disso.  Segundo ela, é necessário ampliar o debate sobre os impactos ambientais e questionar práticas que colocam interesses econômicos acima das questões ambientais.

A Marcha pelo Clima em Natal teve sua terceira edição em 2026, mas a organização pretende expandir o evento em grandes encontros anuais, dando mais visibilidade à agenda ambiental e às discussões sobre as mudanças climáticas no Rio Grande do Norte e no restante do país.