Foto: Natália Maciel.

Por: Maria Luísa Vidal e Natália Maciel

Nesta última segunda-feira, dia 16 de março, foi iniciada a Semana da Comunicação de 2026 da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), a partir da discussão proposta pelas professoras Mônica Mourão, Kenia Maia, Josimey Costa e pela convidada Cida Alves sobre a importância da atuação feminina em diversas áreas da comunicação e os impasses sociais enfrentados pelas mulheres dentro ou fora da imprensa. 

 Dentre os tópicos apresentados no evento, destacam-se: Os impactos da abordagem inadequada na construção de notícias e a superexposição de vítimas em casos de violência contra a mulher. Também foi debatido a responsabilidade ética da cobertura jornalística ao tratar de tais crimes, ressaltando a necessidade de preservar a dignidade e identidade de mulheres que já sofreram algum tipo de agressão. 

Em continuidade às discussões, a psicóloga Cida Alves trouxe para a mesa de conversa a sua visão acerca da repetição de comportamentos agressivos, os quais podem ser reforçados pela falta de sensibilidade na divulgação desses episódios nos meios informativos. Segundo a estudiosa, essa realidade se concretiza quando há a culpabilização da vítima e banalização do panorama atual. Ela, também, parafraseia tal cenário com o conceito de “Pedagogia da crueldade” da antropóloga Rita Segato que afirma: A sociedade têm se desumanizado à medida que práticas violentas passam a ser naturalizadas nesses veículos e reproduzidas no cotidiano.

Foto: Natália Maciel

A doutora em comunicações Mônica Mourão também pontua -ao citar o livro  “O mito da beleza” de Naomi Wolf, a existência de uma armadilha patriarcal que muitas vezes passa despercebida: a cobrança excessiva que o conjunto social despeja sobre a mulher – e que, entretanto, não é atribuída ao homem da mesma forma. A intelectual conclui, a partir dessa leitura, que a finalidade dessa ferramenta de controle é manter a mulher submetida às pressão estética e às convenções sociais, ao passo em que as distancia de cargos de liderança corporativos, demonstrando a desigualdade de gênero nas jornadas de trabalho estruturalmente distintas.

A professora Kenia Maia finaliza o debate, enfatizando a situação de invisibilidade que a figura feminina e outras minorias são submetidas no mercado da comunicação. Além disso, salienta a importância da fortificação de programas de monitoramento sobre a frequência de grupos sociais na mídia jornalística como, por exemplo, o GMMP (Global Media Monitoring Project): responsável por impulsionar a equidade e representação de gênero nessa área. 

A Semana de Comunicação segue sediada na UFRN até essa sexta-feira (20),durante a tarde e a noite, contando com várias atividades: oficinas, palestras e mesas debatendo sobre temas variados que estarão à disposição de quem tiver interesse. Para mais informações, acesse as redes sociais do Decom (Departamento de Comunicação).