Por Rian Paulino
Após 100% das urnas apuradas, no dia 4 de outubro, foi divulgado o resultado que confirmou a necessidade de um segundo turno para as eleições presidenciais, marcado para o dia 25 do mesmo mês. Durante esses 21 dias, o povo brasileiro entrou em um estado — nomeado pelos próprios brasileiros — de psicose política, que se referia à inquietação e à aflição emergentes após o resultado da primeira fase da eleição. O resultado do primeiro turno, despertou em parte da sociedade brasileira o receio da ameaça à democracia, provocando manifestações de rua e nas redes sociais, como um movimento político que tirou metade dos eleitores de suas zonas de conforto para defender aquilo que acreditavam ser o melhor para o país.
O período foi marcado pelas ruas, que voltaram a ser ocupadas por manifestações, pelos atos e mobilizações populares, pela transformação do espaço físico em um ambiente de expressão política, pela disputa de narrativas e pela construção coletiva. Pessoas que até então acompanhavam a política à distância passaram a participar ativamente dela, seja nas manifestações, nas conversas cotidianas ou nas mobilizações organizadas.
Para além dos movimentos das ruas, as redes sociais assumiram um papel fundamental na documentação e na propagação desses acontecimentos. Sem eliminar a importância dos meios tradicionais de comunicação, as plataformas digitais ampliaram as possibilidades de registro e compartilhamento, permitindo que fotografias, vídeos, publicações, montagens e relatos circulassem quase simultaneamente à realização dos acontecimentos.
A história passou a ser acompanhada, compartilhada e interpretada enquanto acontecia, em tempo real. Esse fato também modificou a relação das pessoas com os acontecimentos, permitindo que indivíduos geograficamente distantes participassem simbolicamente de uma experiência coletiva, a qual ultrapassou as fronteiras nacionais.
A repercussão internacional das eleições despertou manifestações de apoio à democracia brasileira e ao direito da população de decidir seus próprios rumos políticos. Veículos de comunicação estrangeiros, como o The New York Times, acompanharam e repercutiram o processo eleitoral, enquanto personalidades internacionais, entre elas Melissa Barrera, protagonista dos filmes da franquia de Pânico, Mark Ruffalo, o ator do personagem Hulk dos filmes e séries da Marvel, Madonna e Bad Bunny, cantores famosos e premiados, demonstraram publicamente interesse pelo cenário político brasileiro. A movimentação também chegou à política institucional norte-americana, com a participação do então presidente Donald Trump, cuja presença não passou despercebida.
Nesse processo, a linguagem das produções audiovisuais desempenhou um papel expressivo. Referências cinematográficas, televisivas e musicais como Jogos Vorazes, Avatar: A Lenda de Korra, “Ain’t in LA” música de Adela e muitas outras foram incorporadas à linguagem das manifestações e das redes sociais, transformando cenas, personagens, trilhas sonoras e estéticas em ferramentas de comunicação política. As edições de vídeos, montagens audiovisuais produzidas e compartilhadas pelos próprios usuários, contribuíram para traduzir sentimentos coletivos, construir identificações e atribuir novos significados à disputa eleitoral. A cultura pop, nesse contexto, ultrapassou o entretenimento e passou a integrar as formas contemporâneas de expressão e participação política. Esse movimento evidenciou uma circulação de influências de mão dupla: enquanto referências, discursos e acontecimentos internacionais atravessavam o debate brasileiro, a mobilização nacional também alcançava o exterior, provocando manifestações, repercussões e posicionamentos.
Nas redes sociais, essa dinâmica foi praticada por artistas brasileiros. Fandoms — as comunidades de admiradores — passaram a cobrar publicamente posicionamentos de personalidades nacionais, questionando seu silêncio diante da disputa eleitoral. A cobrança transformou o posicionamento político de figuras públicas em uma pauta de discussão dentro das próprias comunidades de fãs. Em muitos casos, essas manifestações de pressão precederam declarações públicas dos artistas, demonstrando como o público passou a reivindicar não apenas a produção cultural de seus ídolos, mas também uma manifestação de suas convicções e responsabilidades sociais.
Em apenas 21 dias a história foi produzida nas ruas, registrada pelas câmeras, disseminada pelas redes sociais e atravessada por referências nacionais e internacionais. A construção de símbolos a partir da repetição e circulação de cores, gestos, músicas, imagens, frases e referências culturais passaram a representar posições políticas e sentimentos compartilhados. E são essas diferentes formas de participação, comunicação e expressão que se encontraram em um mesmo acontecimento, que tornaram a experiência eleitoral também um fenômeno cultural e midiático como nunca antes vista no mundo.
A história não esperou o fim das eleições para começar a ser reescrita . Ela estava acontecendo diante dos olhos de quem a vivia, de quem a registrava e de quem a compartilhava. O Brasil se transformou não só em referência para outros países, mas inspiração para aqueles que desacreditavam do poder do povo e da democracia.
Com esses eventos o Brasil se afirmou como marco historicamente e internacionalmente reconhecido, demonstrando avanços nunca antes vistos quando se refere à resistência pacífica. entre os dias 4 e 25 de outubro, com a organização do povo, o Brasil se reafirma no cenário internacional como um país soberano.






