Início do “Bate papo” com as principais entidades do IFRN. Foto: Valmir Ferreira

Por Letícia Tomé, Matheus Nepomuceno e Valmir Ferreira

O Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN)  abriu, oficialmente, o Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França (CTC). O espaço voltado à difusão da produção cultural potiguar e às experimentações artísticas e tecnológicas, foi inaugurado ontem, dia 04 de novembro, às 15, no prédio histórico do IFRN localizado na Av. Rio Branco, no bairro da Cidade Alta, em Natal.

ABERTURA

Após um período de quase seis anos sem funcionar, o edifício histórico do IFRN, na Cidade Alta, reabriu suas portas com a apresentação musical do Quarteto Laune des Wassers, que montou um repertório reverenciando composições brasileiras. Logo após, houve uma mesa redonda com a participação de José Arnóbio, reitor do IFRN,  Lerson Maia, diretor do CTC, Tânia Costa, Superintendente da FUNCERN, Mary Land Brito da secretaria de cultura do estado e Divaneide Basílio, deputada estadual do RN. Além disso, a inauguração também teve a participação da cantora Cida Lobo, que entoou o Hino Nacional da República; Aula magna de João Cândido Portinari; Exposição de obras  de Cândido Portinari; Apresentações do grupo Choro de Caçuá, Grupo Batuque Resistência, Demmy Gonzaga, Diego Ventura, Ricardo Buihú  e encerramento com a atração cultural Folia de Rua Potiguar.

Abertura teve início com apresentação musical do Quarteto Laune des Wassers. Foto: Valmir Ferreira

O evento contou com diversas figuras importantes na educação e política potiguar, dentre eles membros do grupo idealizador da reforma e abertura do espaço, como o arquiteto e jornalista Lawrence, e a vereadora Brisa Bracchi, do município de Natal.

MESA REDONDA

Durante esse momento de “bate papo”, mediado por Glácia Marilla, o reitor do IFRN reforçou com convicção que o CTC tem papel fundamental para revitalização do bairro da Cidade Alta, não apenas como centro comércial mas também centro cultural. Já Lerson Maia, Diretor-geral do CTC, respondeu de uma perspectiva quase paternalista, com uma postura de cuidado e orgulho acerca  do Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França. Também, com bom humor, respondeu Mary Land, secretária de cultura potiguar, sobre seu sentimento de pertencimento das Instituições federais do Rio Grande do Norte, que de forma ímpar, oferece suporte aos alunos de todas as áreas da capital.

AULA MAGNA

João Candido Portinari, filho do pintor, Candido Portinari e presidente da Associação Candido Portinari (RJ) inicia sua aula magna recitando um poema feito por um amigo de seu pai e dedicado ao mesmo. Durante a aula, João Candido apresentou uma definição que seu pai havia feito sobre si mesmo, retratos de seus avós e histórias dos sacrifícios feitos por parentes para ajudar seu pai ao longo da carreira. O diretor também compartilhou que durante o tempo que passou em Paris, Portinari refletia sobre suas origens e o que gostaria de fazer com a sua arte, escrevendo a “Carta do Palaninho.”

Fim da Aula Magna de João Cândido Portinari, onde ele se levanta para início do Cortejo. Foto: Valmir Ferreira

Continuando a apresentação, ele abordou a importância da perseverança de Portinari e como o artista foi extremamente reconhecido e prestigiado por uma longa citação em uma reunião das Nações Unidas (ONU). De acordo com João Candido Portinari, “O projeto Portinari é fundado em 1979 no museu Van Gogh, com a intenção de se dedicar a catalogação dos trabalhos de Candido Portinari e devolvê-los aos seus verdadeiros donos, o povo brasileiro.” Em sua fala, ele discorreu sobre o significado do Catálogo Raisonné de Portinari e sua utilização como presente de estado a dois presidentes franceses durante os mandatos dos presidentes brasileiros Lula e Dilma Rousseff.

Vídeo do presidente Lula na ONU homenageando o grandioso trabalho do quadro Guerra e paz enviado por Portinari em 2007. Foto: Valmir Ferreira

Nesse momento, houve também a exibição de um vídeo explicativo sobre as intenções do Projeto Portinari, e leitura de um texto emocionante proferido por João Candido, no ano de 1982, deixando claro seu amor pela nação e pela possibilidade de fornecer as pinturas e herança cultural deixada por seu pai para as gerações futuras.

EXPOSIÇÃO

Ademais, o público foi guiado até a exposição das obras de Portinari realizada em Pequim, na China, revelando como o artista retratou o trabalhador e o mundo do trabalho. O momento contou também com a tradução do mandarim da definição, feita pelo artista, de si e de sua história.

A exposição Candido Portinari estará aberta ao público geral para visitação até o dia 05 de fevereiro de 2027, de terça a sábado, das 8h às 17h.

ENCERRAMENTO
Para a conclusão do evento de abertura, a atração cultural Folia de Rua Potiguar conduziu todos os presentes até a porta principal do CTC Luzia Vieira de França, para o corte da faixa de entrada, abrindo oficialmente o centro cultural.

 

Início do Cortejo com Buiu e o Choro do Caçua. Foto: Valmir Ferreira

O CENTRO CULTURAL

O Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França (CTC), busca promover, de forma inovadora na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, o fomento da cultura potiguar.

A Galeria de Artes Thomé Filgueira; Museu do Brinquedo Popular; Incubadora Tecnológica de Cultura e Arte, Laboratório de Corte e Costura; auditório para projeções audiovisuais; polo para empresas parceiras e salas para capacitações e workshops oferecidos pelo Instituto, serão algumas iniciativas promovidas no CTC. Somado a isso, o estúdio da  da Rádio IFRN 95,3, salas de dança, música e teatro, ateliê de artes visuais e uma cafeteria também passarão a funcionar no local, ainda no primeiro semestre de 2027, quando todo o processo de construção estiver finalizado.

De acordo com Larson Maia, “A nova proposta amplia o papel do imóvel para além de sua função educacional original. O CTC nasce com a perspectiva de reunir iniciativas que conectam cultura, tecnologia e economia solidária, tornando o prédio um ambiente de circulação de ideias, formação de agentes culturais, experimentação e acesso à produção criativa.”. Para ele,  o edifício reabre as portas ao público com a intenção de honrar sua história, ampliando as possibilidades de formação e produção cultural, assim como fez desde a sua inauguração no século passado ao expandir a educação profissional no estado, mas, desta vez, através da  integração entre cultura, tecnologia e economia solidária.

SERVIÇO

Exposição Candido Portinari

Local: Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França / IFRN. Av. Rio Branco, 743, Cidade Alta, Natal / RN (entrada pelo portão da Avenida Princesa Isabel).

Exposição: 20 réplicas autorizadas pela Associação Candido Portinari, com foco nas representações do trabalhador e do mundo do trabalho.

Visitação: terças a sábados, das 8h às 17h. A exposição segue aberta até o dia 5 de fevereiro.