Por: Giovanna Tavares, Maria Cecília Salvador e George Kauan.
Na última sexta-feira, 20 de março, a Semana de Comunicação de 2026 encerrou sua programação com uma oficina de redação criativa realizada no Departamento de Comunicação (DECOM) da UFRN. O encontro, conduzido pela equipe da 59mil, propôs uma discussão sobre os obstáculos que frequentemente travam a escrita, como o bloqueio criativo e a tendência à comparação, explorando o conceito de “trauma criativo”.
A abordagem central destacou que, embora esses entraves possam causar atrasos no processo, cada indivíduo possui um ritmo próprio de criação. O objetivo foi demonstrar que é possível adaptar ferramentas externas à forma particular de escrever de cada um, transformando dificuldades em métodos personalizados de produção textual.
Como estratégia prática para tornar a escrita mais fluida, a oficina apresentou o método das Páginas de Fluxo. A técnica consiste em escrever três páginas manuscritas logo ao acordar, antes de qualquer contato com mídias digitais ou dispositivos eletrônicos, priorizando a descarga de pensamentos sem o filtro da autocrítica imediata.
Durante o exercício, enfatizou-se que não se deve reler ou editar o que foi escrito no momento, permitindo que o fluxo mental guie a caneta. A oficina também promoveu uma reflexão sobre o “artista interior” — uma metáfora para a criatividade espontânea que precisa de momentos de solitude e experiências de conforto pessoal para se manter ativa e saudável.

A parte prática do encontro desafiou os participantes a escreverem livremente por 10 minutos a partir da frase “Eu sou…”. A instrução era manter o movimento constante: caso surgisse um bloqueio, a orientação era escrever repetidamente “não sei como continuar” até que uma nova ideia fluísse, provando que a criatividade não depende de regras rígidas para se manifestar.
Ao final, o evento reforçou que a criatividade vai além do campo artístico tradicional, sendo
uma competência que exige autoconhecimento. O caminho para encontrar uma voz autoral
não é linear, mas sim um processo contínuo de experimentação onde cada escritor utiliza as ferramentas disponíveis para descobrir sua própria forma de expressão.






