Foto: Heloisa Brito.

Por: Larissa Guedes.

A sexta edição da Semana de Comunicação da UFRN, promovida pelo Departamento de Comunicação (DECOM) traz como tema central “Processos criativos e a inteligência artificial”. Durante toda a programação, é possível vislumbrar a temática em várias palestras, mesas e oficinas. 

Na última quarta-feira, dia 18 de março, no auditório 2, do DECOM foi apresentada a mesa “Novas tecnologias na pós-produção audiovisual” apresentada por Aderbal Andrade (docente e realizador audiovisual) e André Pinto (roteirista, diretor e designer de produção), com mediação de Carlos Segundo (DECOM/UFRN). A mesa mostrou um pouco da evolução das tecnologias utilizadas na pós-produção e como novas tecnologias podem ser agregadas, desmistificando a ideia de que a Inteligência Artificial seria uma substituta da ação humana.  

A pós-produção é a parte em que se analisa as imagens brutas para realizar os cortes e as separações de cenas, escolhendo os melhores takes e os que podem ser descartados. Depois de separar as partes, organiza-se essas cenas, insere-se transições e constrói o ritmo da narrativa. Também é onde ocorrem os ajustes de cor, legendas, gráficos, entre outros. E por último, há uma revisão de conteúdo e qualidade, para que o vídeo seja disponibilizado para o público em geral. 

Foto: Heloisa Brito.

No início da mesa, tanto Aderbal, quanto André rememoram as suas vivências, recordando que puderam acompanhar a evolução da internet, observando as novas ferramentas que iam surgindo e utilizando-as ao seu favor… “Aprendi a trabalhar com pouco recurso, mas fui privilegiado por acompanhar o movimento (do surgimento de novas ferramentas). […] o processo é a gente que define e adapta as ferramentas que vão surgindo” afirmou Aderbal. 

Em continuidade à discussão, o mediador Carlos Segundo, introduziu a temática do uso da Inteligência Artificial (IA) na pós-produção, comentando com o público que havia perguntado para a própria IA se existia a possibilidade delas substituírem a ação humana nas produções audiovisuais. Em seguida exibiu a resposta obtida, em que a IA falava que não havia um risco, mas que a interação entre humanos e máquinas poderia causar uma grande transformação na indústria cinematográfica e que algumas funções técnicas poderiam ser substituídas por IA, sem mencionar quais. 

Os comentários dos debatedores a respeito da resposta da IA tranquilizou o público,  pois estes afirmaram que a IA ainda está em um momento de uso generalizado, sem que haja uma qualidade aceitável para a sua utilização no meio profissional. Aderbal citou um exemplo importante para confirmar o que haviam dito anteriormente.O experimento consiste em perguntar para a Inteligência Artificial sobre um assunto que não se tem domínio, para ele neste contexto há uma probabilidade muito grande de que a resposta seja satisfatória. Ao passo que ao perguntar sobre um assunto de que se têm domínio, a resposta será muito superficial e pouco satisfatória. 

A mesa trouxe então uma importante reflexão para o fato de que as novas tecnologias como comenta Shoshana Zuboff, em seu livro “A era do capitalismo de vigilância”, são inevitáveis e precisam ser utilizadas a nosso favor, como ferramentas que agregam agilidade ao nosso trabalho.