Por: Gilvictor Nascimento
O surgimento da IA (Inteligência Artificial) se popularizou de forma gradativa e dantesca no final 2022 e início de 2023. Quando a plataforma “ChatGPT” ganhou notoriedade por simplificar e agilizar a produção humana. Abrindo palco para a criação de conteúdo instantâneo, a plataforma se popularizou por sua eficácia em resumir conteúdos datados em toda a Internet, e por informações súbitas, e mais para frente, evoluindo para a criação de fotos e vídeos gerados pelo sistema.
Essa disseminação abriu margem para a criação de novas Inteligências Artificiais com focos específicos, como a criação de vídeos, fotografias, “deep fakes” e músicas. A grande problemática envolta desse tema foi exposta logo após a popularização da IA, nenhuma inteligência artificial existente tem a capacidade de criar algo do “nada”.
internautas perceberam que a ferramenta supostamente roubava informações e/ou obras. Fragmentando e misturando essas informações para em fim, acabar realizando suas “criações instantâneas”.
Desumanizando e desqualificando artistas reais, subjugando sua arte ao nada, e popularizando a cultura de copiar e colar, consumir e replicar, e nunca de fato criar. Esse ponto afeta diretamente e negativamente artista que usam de sua arte como forma de sobrevivência, gerando um impacto ambivalente, funcionando simultaneamente como uma atemorização ao mercado profissional tradicional, criando desemprego e a falta de necessidade de investir em artistas e pessoas de carne e osso.
Segundo a CISAC (Confederação Internacional de Sociedades de Autores e Compositores) e pela consultoria PMP Strategy. estudos indicam que a IA pode colocar em risco até 24% das receitas de criadores de música e artes visuais até 2028. Esse prejuízo decorre do “efeito de substituição”, no qual conteúdos sintéticos, por serem mais ágeis e baratos, ganham terreno sobre as obras humanas em bibliotecas digitais e plataformas de streaming.
Um grande exemplo fruto dessa problemática é a artista Sienna Rose, que acumula mais de 3 milhões de ouvintes mensais na plataforma de streaming musical “Spotify”. Com grandes virais na plataforma, como: “Into the Blue”, música que soma mais de 12 milhões de streams, “Safe With You” que acumula mais de 5 milhões de visualizações na plataformas e entre muitas outras.
Sienna Rose, chamou atenção por sua versatilidade e por renovar o gênero musical R&B e Neo-soul, ganhando notoriedade principalmente graças ao “efeito TikTok”, onde as músicas são super impulsionadas por vídeos curtos, trechos, legendas ou “trends”. A aclamação de Sienna é decorrente ao início de 2026, onde escancarou a fragilidade das fronteiras digitais ao atingir o impressionante marco de mais de 3 milhões de ouvintes no Spotify, impulsionada por um breve — mas explosivo — compartilhamento de Selena Gomez que validou sua existência perante o grande público.
Contudo, essa fachada de estrela pop desmoronou sob um olhar mais atento: a ausência total de perfis verificados, a falta de apresentações ao vivo e o silêncio absoluto em pedidos de entrevista revelaram uma “artista fantasma” sem qualquer rastro humano concreto. Esse vazio de identidade transformou Sienna em um símbolo dos debates modernos sobre a autenticidade na música, provando que um algoritmo pode fabricar o sucesso, mas ainda não consegue sustentar a humanidade.
Ao observar o avanço dos chamados “artistas” de IA, percebemos que aquela antiga visão da revolução das máquinas, antes tratada como ficção distante — já começa a ganhar contornos
concretos na cultura contemporânea. No entanto, mais do que uma simples substituição humana, o que se revela é um embate simbólico entre criação e automatização, sensibilidade e algoritmo. A tecnologia pode replicar estilos, compor músicas e pintar quadros, mas ainda carrega em si a ausência da vivência, pois o artista é a antena da arte, da dor e da experiência que moldam a arte humana. Assim, talvez o verdadeiro desafio não seja temer a extinção do artista, e sim compreender como a inteligência artificial redefine o conceito de autoria, criatividade e identidade em um mundo cada vez mais mediado por códigos.







