
Por: Kethelly Lopes
Criado como um projeto de ensino do IFRN Centro-Histórico, o Rocal Cênico levou estudantes do ensino médio ao palco do Teatro Alberto Maranhão, nos dias 29 e 30 de janeiro, para apresentar peças inspiradas em obras de autores latino-americanos que sofreram censura durante regimes autoritários. Com o tema “Ainda estamos aqui: sem censura”, o evento integrou teoria e prática teatral ao promover o acesso à arte, reflexão crítica e o diálogo entre a escola e comunidade.
A ação tem como objetivo democratizar o acesso ao teatro e possibilitar que os estudantes vivenciem a arte de forma integral, unindo teoria e prática, explica a professora Keila Fonseca, coordenadora do projeto. Desenvolvido com turmas do segundo ano do ensino médio do IFRN Centro-Histórico, a ativid”A Jornada de Um Imbecil até o Entendimento” apresentada por alunos de Multimídia – Foto: Rainer Marques / Divulgaçãoade envolve os alunos em todas as etapas da criação teatral, desde o estudo da linguagem cênica até os ensaios e a apresentação pública das peças.

A definição do tema partiu da pergunta “o que te transborda hoje?” utilizada como base para orientar as discussões em sala de aula. De acordo com Keila, o debate sobre a censura, perseguição artística e autoritarismo na América Latina levou à escolha de obras de autores que tiveram seus textos censurados durante regimes autoritários. O processo de seleção das peças teve início pelos bolsistas do projeto, que levantaram textos de autores do Brasil, Chile, Argentina e Uruguai.
Além da formação artística, o Rocal Cênico também atua na formação social dos estudantes, muitos dos participantes, segundo a professora coordenadora, têm no projeto o primeiro contato com o teatro, tanto como intérpretes quanto como espectadores, o que amplia o acesso à arte.
Nessa edição, Keila destaca que as peças apresentadas abordaram temas como violência contra mulher, exploração do trabalho, manipulação da fé e crítica ao sistema político. Apesar de críticas, em sua maioria, serem das décadas de 1950 e 1970, as obras dialogam com questões atuais da sociedade.






