Por: Larissa Guedes, Cecília Dantas, Natália Guimarães e Gilvictor Nascimento.
O primeiro dia de eventos abertos ao público da Semana da Comunicação (Secom) foi inaugurado nesta segunda-feira (16), no auditório B do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) da UFRN, com uma mesa de abertura sobre o uso de inteligência artificial em processos criativos. A organização trouxe a convidada Ismênia Blavatsky, professora do Instituto Metrópole Digital, como especialista em Estatística e estudos de IA.
A primeira mesa de discussão da Secom abordou os limites éticos do uso de IA na área da comunicação. A atividade foi mediada pela professora de mídias digitais Taciana Burgos e contou com a presença da diretora do Instituto Metrópole Digital (IMD), Ismênia Blavatsky, que compartilhou seus conhecimentos sobre os usos das ferramentas de IA no processo criativo, respondendo perguntas do público ao final.
O uso excessivo da IA (Inteligência Artificial) tem sido amplamente debatido nos últimos anos, levantando questionamentos sobre a possível substituição de profissionais pela tecnologia. Nesse sentido, especialistas apontam que a substituição total por inteligência artificial ainda não é uma realidade, já que a tecnologia não é capaz de reproduzir completamente o processo criativo humano. Estudos apontam que entre 40% a 60% dos empregados estão no processo de automação, com impactos na comunicação. Além disso, especialistas destacam que, diante das transformações provocadas pelas novas tecnologias, profissionais da comunicação precisam se adaptar e aprender a utilizar a inteligência artificial como ferramenta de apoio, de forma consciente. Tema debatido na mesa sobre os limites éticos da IA na UFRN.
No início do encontro, Ismênia declarou que não é enriquecedor deixar de inovar como profissional diante do crescimento acelerado das IAs. “A tecnologia está crescendo em uma velocidade que nós não podemos acompanhar… É preciso se atualizar, principalmente quem trabalha com processos criativos”, afirmou. Ela citou como exemplo engenheiros, que também precisaram adaptar sua atuação com o avanço das tecnologias.
Durante a fala, Ismênia destacou que as inteligências artificiais devem ser utilizadas como ferramentas de apoio, e não como elemento central da criação. Segundo ela, seu uso deve ser “aprimorado por sua bagagem e experiências pessoais, para que aquela informação seja única, e não uma reprodução”, reforçando a importância do uso consciente dessas tecnologias.
Posteriormente, ela apresenta ao público algumas ferramentas de IA em sites como “Moral Machine” ou “AI for Oceans” para demonstrar a forma que essa tecnologia apenas aprende e reproduz dados repassados pelos usuários. No “Moral Machine”, a ferramenta usa de conceitos pessoais éticos fornecidos pelo usuário para julgar acidentes de trânsito, provocando dilemas ao captar os preconceitos e prioridades de cada sociedade. Já com “Ai for Oceans”, a interface é similar a de um jogo onde o jogador deve inicialmente “treinar” a IA e a partir das informações aprendidas, ela deve tomar decisões.

A partir desses exemplos, a professora reforçou que é necessário dominar as ferramentas para que elas contribuam com o conhecimento do usuário. “Você vai treinar a IA para contribuir de acordo com as suas experiências… Você tem que dominar a ferramenta, e não o contrário”, afirmou.
Após a fala, a professora Marcela Costa da Cunha, presente no evento, compartilhou a experiência de uma de suas alunas com o uso de IA: “Essa aluna não utilizou a IA para pensar ou criar, mas para acessar dados de forma mais rápida, subsidiando o plano de comunicação que ela mesma desenvolveu… O grande problema é usar essas ferramentas com dependência.”
Em sequência, após a conclusão da apresentação da mesa, houve um espaço para troca de ideias, em que professoras/es e estudantes puderam expor suas impressões e fazer perguntas para a convidada. A temática mais questionada foi a utilização da IA de forma ética e responsável, como um auxiliar e não como um agente de pensamento.
Um dos questionamentos feitos foi: “até que ponto a dificuldade da legislação em regulamentar a inteligência artificial se limita de fato ao problema de acompanhar a velocidade das inovações tecnológicas?”, a resposta evidenciou que a sociedade realmente não está preparada para a velocidade das inovações e que isso, de certa forma dificulta a regulamentação.
Houve também uma continuação da pergunta voltada para a área da comunicação. “Considerando que um impasse semelhante ocorre nas mídias sociais no contexto do capitalismo de vigilância não seria possível afirmar que essa dificuldade também está relacionada às relações de poder? ”. Ismênia respondeu com um COM CERTEZA, em caixa alta.
Assim, o primeiro dia da Secom foi finalizado. A Semana da Comunicação chega ao fim nesta sexta-feira (20) e contará com as mais diversas atividades ao longo da semana, com a realização de mesas, palestras e oficinas focadas nos conhecimentos da comunicação nos turnos tarde e noite.







