29 de outubro: Dia Nacional do Livro

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Foto: Victória Z. Alves

Por Victória Z. Alves

A data em questão foi escolhida para homenagear a fundação da Biblioteca Nacional, em transferência da Real Biblioteca portuguesa para o Brasil, em 1810. A celebração gira em torno da divulgação e promoção do incentivo à leitura, e como consequência, apresentação e discussão sobre autores e obras. A partir de 1808 o Brasil começou a editar livros. 

Existe ainda o dia Internacional do Livro que é celebrado no dia 23 de abril e organizado pela UNESCO, é conhecido também como Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor  – a data escolhida recorda a morte de dois grandes escritores, sendo eles: William Shakespeare e Inca Garcilaso de la Vega, ambos falecidos no dia 23 de abril de 1616por homenagear comemorações em decorrência sobre a proteção legal de obras e sobretudo, a propriedade intelectual em respeito aos autores e suas respectivas obras literárias, artísticas e afins.

Livros e Atualidade

Sabe-se que o livro já passou por diversas transformações, por volta do século XV Johann Gutenberg inventou a prensa dos tipos móveis, invenção essa que revolucionou não apenas a imprensa, mas também as formas de expressões, os livros e a sociedade como um todo. Os tipos e as chapas.

A primeira tecnologia utilizada para a produção dos jornais, por exemplo, foi a dos ‘tipos’ móveis, essa tecnologia é muito antiga, foi popularizada no Ocidente por Gutenberg, ele criou a prensa e desenvolveu uma técnica para a produção desses ‘tipos’ de chumbo, isso aconteceu no século XIV e foi utilizado até o século XX por jornais do mundo todo, inclusive aqui no nosso país e em nosso Estado. Para ser mais exato, o ano foi 1450, onde Gutenberg teve uma invenção revolucionária de criar as letras de metal, foi por causa dessa invenção que foi viabilizado a imprensa e toda a sua escala que vem se acentuando.

Você tinha que pegar letra por letra para montar seu texto e juntando as letras você fazia uma chapa, existia um funcionário que se chamava “compositor”, que ele usava um componedor, então ele fazia a linha do texto e passava para a chapa, para conseguir ter sucesso nessa montagem o compositor tinha que assegurar que a posição das letras estavam corretas e estavam bastante fixadas para que obtivessem o resultado esperado no processo de impressão, se alguma estivesse solta, poderia se desfazer, quebrar o ‘tipo’ ou simplesmente não sair a letra na impressão. O funcionário levava bastante tempo, mesmo os mais ágeis, pois o trabalho era muito demorado, durava muito tempo para se produzir. 

Muitas máquinas foram utilizadas após a invenção de Gutenberg, nos dias de hoje temos formas mais simples e rápidas de reproduzir uma obra em larga escala, e sua distribuição  também passou por grandes processos, tendo agora modelos de obras digitais e/ou impressas mesmo sendo obras de outro país, por exemplo. O processo de globalização e os avanços tecnológicos proporcionam a rápida propagação de um produto, seja ele de seu país ou não, para reforçar isso, há as redes sociais a todo momento mostrando sua força e seu teor viral.

Na imagem, tipos móveis do Museu da Imprensa Eloy de Souza. | Foto: Victória Z. Alves

A revolução de um livro

Maria Firmina dos Reis. | Imagem: Revista CULT

Uma mulher nordestina confrontou os preconceitos de sua época, sendo considerada a primeira mulher a publicar um romance no Brasil. Maria Firmina dos Reis utilizou em sua obra uma temática abolicionista na literatura brasileira, a ‘abolicionista’ negra e educadora brasileira, faleceu em 1917. A revolução feita se diz pela coragem da autora em confrontar uma temática tão importante, mas também tão invisibilizada em seu tempo ser mulher, ser negra e ser nordestina a colocava em um papel característico –  a literatura era majoritariamente composta por escritores homens, o que, de certa forma, fazia o ato de escrever ser um ato de revolução e político. O seu livro “Úrsula” foi publicado com o pseudônimo de “Uma maranhense” o que pode representar a sua autopreservação e receio de alguma retaliação no meio. 

Em consequência deste ato de bravura e com a democratização da leitura e da escrita, hoje existem diversas maneiras de uma mulher vociferar sua voz por meio de obras, mesmo que em sua maioria sejam virtuais, por meio de aplicativos e plataformas digitais como: medium, carrd.co, wattpad, entre outras. O que de certa forma, dá brecha para o outro patamar: o da publicação por meio de selos editoriais.